neshi
13-03-2008, 09:59
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O check-up ginecológico integra dois exames efectuados com uma regularidade específica a cada um deles: a mamografia e a citologia, ou Papanicolaou, os dois com objectivo particular de rastrear tumores malignos.
No caso da mamografia, é reconhecido que esta técnica reduziu em 30% o cancro da mama, mas o problema é que nem todas as mulheres são rastreadas através deste método com regularidade. E esse é mesmo o ponto-chave. Há estudos nos EUA a comprovar que apenas 39% das mulheres entre os 50 e os 59 anos foram rastreadas no ano anterior à realização da investigação, o mesmo acontecendo com 36% das mulheres dos 60 aos 69.
A citologia parece gerar alguma controvérsia entre os especialistas, no que diz respeito à periodicidade.
Segundo revela o Prof. Ricardo Jorge, ginecologista, «no momento discute-se se a citologia deve ser realizada de ano a ano ou de dois em dois anos e, depois disso, perante resultados normais, uma observação a cada três anos».
No entanto, em Janeiro, a Sociedade Portuguesa de Ginecologia (SPG) prepara-se para fazer sair uma «guideline», que vai servir de orientação aos médicos neste aspecto.
«Vão ser recomendados um exame de 12 em 12 meses durante três anos seguidos e, depois, se nada for detectado, um de dois em dois ou de três em três anos»
A polémica neste tema existe devido à relação custo/benefício atribuída ao método de realização da citologia. «Se uma mulher apresenta três citologias negativas e não tem factores de risco, não há razão que justifique o carácter anual», sustenta o médico.
A citologia é um meio de diagnóstico simples e determinante para rastrear o cancro do colo do útero através da colheita de células, como veremos mais adiante.
Mais importante, este procedimento concede uma hipótese decisiva: a cura, já que é possível detectar tumores quando estes ainda se encontram numa fase precoce de crescimento.
Quando fazer a citologia?
O início das relações sexuais marca a necessidade de a mulher proceder ao exame também denominado de Papanicolaou. É nessa altura que podem ocorrer agressões, por exemplo, através do HPV (vírus do papiloma humano), que tem alguns serótipos potencialmente cancerígenos. Este agente patogénico, bem como outras doenças sexualmente transmissíveis, o início precoce do relacionamento sexual e a raça negra fazem parte dos factores de risco principais, onde estão igualmente incluídos os hábitos tabágicos.
Mesmo em mulheres de baixo risco – para já o conceito que adoptamos aqui – há sempre possibilidade de transmissão por via sexual do HPV, que é, efectivamente, uma característica associada a esta patologia.
«É óbvio que o perigo aumenta se a mulher evidenciar comportamentos de risco elevado, como a manutenção de relações sexuais com vários parceiros. Nessas circunstâncias, a vigilância deverá ser apertada e a citologia realizada ano a ano ou até com menos tempo de intervalo, dependendo de cada caso»
Como se faz a citologia?
Trata-se de uma técnica de diagnóstico «que qualquer médico de família pode executar, através da colheita de células do fundo do saco posterior, do exocolo e na zona de transição entre o exocolo e o endocolo, para posterior análise», explica o ginecologista.
Acresce o facto de ser indolor e quase passar despercebido. As eventuais anomalias que possam surgir vão ser identificadas pelo olho especializado de um citologista.
Globalmente, há uma receptividade bastante positiva, por parte das mulheres, a este tipo de exame. Mas há um problema, fora dos grandes centros urbanos.
«Na província ainda há muita gente preocupada em aplicar os escassos recursos de que dispõe em necessidades básicas, como a alimentação. Por isso, certos aspectos rotineiros que dizem respeito à saúde são compreensivelmente desconsiderados ou relegados para segundo plano.»
As idades mais sensíveis e que merecem especial atenção, no campo da ginecologia, centram-se nas décadas de 30 e 40. É nesse intervalo, diz o médico, «que surge a grande percentagem dos cancros do colo do útero».
Se há quem possa questionar que, no limite, um espaço de três anos entre um e outro exame pode ser muito tempo, o suficiente para gerar um cancro agressivo e mortal, Ricardo Jorge desmistifica essa ideia.
«Não há que ter preocupações a esse nível, na medida em que este carcinoma é de progressão lenta.»
A mamografia não provoca cancro
A mamografia é um tema em que também não existe unanimidade. Há quem defenda, como a linha francesa, que a mamografia deve ter lugar aos 35 anos. Aí funciona como uma referência para comparação aos 40 anos e, claro, serve também para determinar se está ou não tudo bem. No entanto, Ricardo Jorge afirma que «este é um cenário raro em Portugal».
Por cá, a indicação mais habitual é de que a primeira mamografia aconteça preferencialmente aos 40 anos e depois uma observação de dois em dois anos, até aos 50. Daí em diante, há que ter em conta um factor de peso: a introdução da terapia hormonal de substituição, aquando da menopausa. Este é um quadro que requer maior vigilância, inclusivamente ano a ano.
Por outro lado, se houver uma história familiar deste carcinoma, as indicações médicas assinalam que a primeira mamografia deve acontecer cinco anos mais cedo do que a idade em que o cancro foi diagnosticado na família.
«Por exemplo, se a mãe teve cancro aos 42, a filha precisa de mamografia de referência aos 37 anos», explica o médico.
De qualquer forma, se subsistirem dúvidas, o rastreio do cancro da mama pode ser efectuado anualmente ou de seis em seis meses, complementado se necessário por uma ecografia. Mais uma vez aqui se aplica a regra de que «cada caso é um caso».
«Não há que temer a ecografia, que também torna possível controlar a doença benigna da mama.»
No entanto, este médico apela à utilização criteriosa dos raios-x, que têm efeitos cumulativos no corpo humano. O mesmo é dizer que o exagero é prejudicial, por isso, «há que não pedir exames a mais», sugere o especialista.
«Às vezes, com as angústias geradas pelas histórias alheias, as pessoas caem no excesso de zelo, que não é conveniente», sublinha.
Até porque é mínimo o número de mulheres que não quer submeter o corpo a uma mamografia. No campo das excepções que confirmam a regra, este ginecologista dá o exemplo de uma doente, «uma senhora de 64 anos, que nunca fez nem pretende fazer uma mamografia».
«Dei-lhe a conhecer os benefícios, mas o medo do traumatismo, ainda que reduzido, do exame é suficiente para afastar-se.
É verdade que a mama é espalmada e dói um pouco. Muita gente até pensa erroneamente que é este traumatismo que provoca cancro, o que é absolutamente falso»
Neshi
:m: :m:
O check-up ginecológico integra dois exames efectuados com uma regularidade específica a cada um deles: a mamografia e a citologia, ou Papanicolaou, os dois com objectivo particular de rastrear tumores malignos.
No caso da mamografia, é reconhecido que esta técnica reduziu em 30% o cancro da mama, mas o problema é que nem todas as mulheres são rastreadas através deste método com regularidade. E esse é mesmo o ponto-chave. Há estudos nos EUA a comprovar que apenas 39% das mulheres entre os 50 e os 59 anos foram rastreadas no ano anterior à realização da investigação, o mesmo acontecendo com 36% das mulheres dos 60 aos 69.
A citologia parece gerar alguma controvérsia entre os especialistas, no que diz respeito à periodicidade.
Segundo revela o Prof. Ricardo Jorge, ginecologista, «no momento discute-se se a citologia deve ser realizada de ano a ano ou de dois em dois anos e, depois disso, perante resultados normais, uma observação a cada três anos».
No entanto, em Janeiro, a Sociedade Portuguesa de Ginecologia (SPG) prepara-se para fazer sair uma «guideline», que vai servir de orientação aos médicos neste aspecto.
«Vão ser recomendados um exame de 12 em 12 meses durante três anos seguidos e, depois, se nada for detectado, um de dois em dois ou de três em três anos»
A polémica neste tema existe devido à relação custo/benefício atribuída ao método de realização da citologia. «Se uma mulher apresenta três citologias negativas e não tem factores de risco, não há razão que justifique o carácter anual», sustenta o médico.
A citologia é um meio de diagnóstico simples e determinante para rastrear o cancro do colo do útero através da colheita de células, como veremos mais adiante.
Mais importante, este procedimento concede uma hipótese decisiva: a cura, já que é possível detectar tumores quando estes ainda se encontram numa fase precoce de crescimento.
Quando fazer a citologia?
O início das relações sexuais marca a necessidade de a mulher proceder ao exame também denominado de Papanicolaou. É nessa altura que podem ocorrer agressões, por exemplo, através do HPV (vírus do papiloma humano), que tem alguns serótipos potencialmente cancerígenos. Este agente patogénico, bem como outras doenças sexualmente transmissíveis, o início precoce do relacionamento sexual e a raça negra fazem parte dos factores de risco principais, onde estão igualmente incluídos os hábitos tabágicos.
Mesmo em mulheres de baixo risco – para já o conceito que adoptamos aqui – há sempre possibilidade de transmissão por via sexual do HPV, que é, efectivamente, uma característica associada a esta patologia.
«É óbvio que o perigo aumenta se a mulher evidenciar comportamentos de risco elevado, como a manutenção de relações sexuais com vários parceiros. Nessas circunstâncias, a vigilância deverá ser apertada e a citologia realizada ano a ano ou até com menos tempo de intervalo, dependendo de cada caso»
Como se faz a citologia?
Trata-se de uma técnica de diagnóstico «que qualquer médico de família pode executar, através da colheita de células do fundo do saco posterior, do exocolo e na zona de transição entre o exocolo e o endocolo, para posterior análise», explica o ginecologista.
Acresce o facto de ser indolor e quase passar despercebido. As eventuais anomalias que possam surgir vão ser identificadas pelo olho especializado de um citologista.
Globalmente, há uma receptividade bastante positiva, por parte das mulheres, a este tipo de exame. Mas há um problema, fora dos grandes centros urbanos.
«Na província ainda há muita gente preocupada em aplicar os escassos recursos de que dispõe em necessidades básicas, como a alimentação. Por isso, certos aspectos rotineiros que dizem respeito à saúde são compreensivelmente desconsiderados ou relegados para segundo plano.»
As idades mais sensíveis e que merecem especial atenção, no campo da ginecologia, centram-se nas décadas de 30 e 40. É nesse intervalo, diz o médico, «que surge a grande percentagem dos cancros do colo do útero».
Se há quem possa questionar que, no limite, um espaço de três anos entre um e outro exame pode ser muito tempo, o suficiente para gerar um cancro agressivo e mortal, Ricardo Jorge desmistifica essa ideia.
«Não há que ter preocupações a esse nível, na medida em que este carcinoma é de progressão lenta.»
A mamografia não provoca cancro
A mamografia é um tema em que também não existe unanimidade. Há quem defenda, como a linha francesa, que a mamografia deve ter lugar aos 35 anos. Aí funciona como uma referência para comparação aos 40 anos e, claro, serve também para determinar se está ou não tudo bem. No entanto, Ricardo Jorge afirma que «este é um cenário raro em Portugal».
Por cá, a indicação mais habitual é de que a primeira mamografia aconteça preferencialmente aos 40 anos e depois uma observação de dois em dois anos, até aos 50. Daí em diante, há que ter em conta um factor de peso: a introdução da terapia hormonal de substituição, aquando da menopausa. Este é um quadro que requer maior vigilância, inclusivamente ano a ano.
Por outro lado, se houver uma história familiar deste carcinoma, as indicações médicas assinalam que a primeira mamografia deve acontecer cinco anos mais cedo do que a idade em que o cancro foi diagnosticado na família.
«Por exemplo, se a mãe teve cancro aos 42, a filha precisa de mamografia de referência aos 37 anos», explica o médico.
De qualquer forma, se subsistirem dúvidas, o rastreio do cancro da mama pode ser efectuado anualmente ou de seis em seis meses, complementado se necessário por uma ecografia. Mais uma vez aqui se aplica a regra de que «cada caso é um caso».
«Não há que temer a ecografia, que também torna possível controlar a doença benigna da mama.»
No entanto, este médico apela à utilização criteriosa dos raios-x, que têm efeitos cumulativos no corpo humano. O mesmo é dizer que o exagero é prejudicial, por isso, «há que não pedir exames a mais», sugere o especialista.
«Às vezes, com as angústias geradas pelas histórias alheias, as pessoas caem no excesso de zelo, que não é conveniente», sublinha.
Até porque é mínimo o número de mulheres que não quer submeter o corpo a uma mamografia. No campo das excepções que confirmam a regra, este ginecologista dá o exemplo de uma doente, «uma senhora de 64 anos, que nunca fez nem pretende fazer uma mamografia».
«Dei-lhe a conhecer os benefícios, mas o medo do traumatismo, ainda que reduzido, do exame é suficiente para afastar-se.
É verdade que a mama é espalmada e dói um pouco. Muita gente até pensa erroneamente que é este traumatismo que provoca cancro, o que é absolutamente falso»
Neshi
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